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Curva ABC: o que 20% do seu estoque diz sobre 80% do seu dinheiro

23 de set de 2026

A ideia, sem economês

Em toda loja do mundo, uma minoria pequena de produtos concentra a maior parte do dinheiro que gira. A curva ABC só dá nome a isso:

  • A — os ~20% de itens que respondem por ~80% do faturamento: o coração da loja;
  • B — os ~30% seguintes, com ~15%: o meio de tabela honesto;
  • C — os ~50% restantes, que juntos mal fazem ~5%: a cauda longa.

Os percentuais exatos variam; o desenho, nunca. E a consequência prática é uma frase: tratar todos os itens do estoque com a mesma atenção é dar ao item C o cuidado que o A merece — e roubar do A o cuidado que ele paga.

Calcule a da sua loja em 30 minutos

  • 1. Liste as vendas por produto dos últimos 90 dias (quantidade × preço = faturamento por item). Se a venda está num sistema, é um relatório; se está em caderno, essa dificuldade já é um diagnóstico — falamos dele aqui;
  • 2. Ordene do maior faturamento para o menor;
  • 3. Some de cima para baixo até 80% do total — esses são os seus A. Do ponto até 95%, os B. O resto, C;
  • 4. Anote quantos itens são A. O número costuma chocar: numa loja com 2.000 itens, os A são tipicamente 150 a 300.

Refaça por margem (quantidade × lucro unitário) e compare: o item que fatura muito com margem mínima é famoso — mas o que decide o lucro do mês são os A das duas listas.

O que fazer com cada letra

  • Itens A — obsessão: aqui mora a única regra inegociável da loja: item A não pode faltar. Nunca. Estoque mínimo folgado, reposição na frente da fila, conferência primeiro (inventário rotativo começa pelos A), negociação de compra concentrada neles — 1% de desconto num A vale mais que 10% num C;
  • Itens B — rotina: mínimo normal, revisão mensal. E um olho nos B em ascensão: o B que vira A é tendência avisando; o A que cai para B é aviso na outra direção;
  • Itens C — racionalização: a pergunta certa não é "por que vende pouco?" — é "por que eu estoco isso?". Alguns C se justificam (peça de complemento que segura a venda do A, item de conveniência que traz gente). O resto é capital parado na prateleira: sem recompra automática, queima de estoque na parada de 6+ meses (o desconto que dói menos que mais um ano de pó), e a categoria "sob encomenda" — a loja atende sem estocar.

O erro de fazer uma vez só

Curva ABC de papel na parede envelhece em um trimestre: sazonalidade, moda e fornecedor mudam a lista o tempo todo. O jeito de manter é a curva ser um relatório vivo do sistema — recalculada todo mês a partir das vendas reais, com os alertas de mínimo ajustados pela letra do item (folga nos A, aperto nos C). No SIA é exatamente assim: a curva sai pronta do movimento da loja, e o mínimo por item respeita a letra. Na demonstração aberta, o relatório está lá com dados de exemplo — abra e veja quantos A a loja-modelo tem. Depois faça a conta na sua.

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